quarta-feira, junho 27

O "gato" comeu! - (ou a revolta das sintaxistas)


Onde é que foi parar a minha língua nas bocas tagarelas?
Prosa em Pessoa no plural, falta uma palavra da boa. Um autêntico aportuguesado.
Meu caso de amor é a amizade com o Aurélio que se abre para mim,
respondendo o que eu queria saber.
Substantivogrecolatim virou axésoteropolitano.
Surtaram a gramática por engano!
O sujeito é o verbo de ligação com a máfia se vem adjunto armado
metralhando a metáfora da pátria.
Dos filhos deste solo, a mãe gentil deixou colocarem Z no Brasil.
Se acha um poeta rabiscado até na poesia concreta.
E salve-se quem puder do futurismo.
Ai Hitler! Aqui e agora correndo nos campos de concentração
a raça seria exterminada gírias morreriam de inanição.
Fala-se pouco e pensa-se menos ainda
Roubaram as sílabas da memória do ôco...- Ae! Pá! Brou! Tal! Só! etc...

A morfologia é linda gente!!!
O intelecto sente fome quando só o macarrônico se come.
Ressuscitem com elixir de longa vida os imortais adormecidos e cronologicamente esquecidos.
Deu pane na neurosistêmica cadeira elétrica acadêmica.
Libertem o Paulo do comando vermelho que reprodu$ feito Coelho.
Autor de verso nada bobo, vai cifrar na vitrine da globo.
A filosofia do ditongo se aplica no fóssil do ócio deformado extintor de parágrafos.


Sete vidas tenho,
Mas Sete faces...somente Drummond. Salve!
Abaixo as pseudoclassescaricaturais
Deixe o meu, o seu, o nosso vocabulário
Assumidamente sair do armário
Que Mário?
O Quintana.
Fruto diferente e especial desta república que só nos dá bananas.
Tudo bem que descendemos dos macacos, mas abrasileirados somos filhos de Deus.
Miscigenados na panela de barro, plebeus não privilegiados com a Panela de Ferro.
Oxigenados, Siliconados, Mansueados, posicionados os adjetivos treinados
Para serem encaixados!


Sento para escrever e vejo lá no fundo da estante do meu escritório,
a aposentada Dona Olivetti que ganhei aos oito anos.
Quietinha e conformada com os avanços da tecnologia.
Minhas mãos não se aposentam...meus dedos não são cibernéticos;
antes de tudo, as ferramentas naturais da minha habitada e demográfica-mente, são os lápis e os papéis em branco que me recebem a qualquer hora do dia ou da noite.


E cadê o motivo? Onde foi parar?
Está nos prêmios não pagos, nas contas penduradas, na fama de reconhecida,
nas perdas irreparadas....
Ficou lá fora, junto com o mundo que distraí por uns momentos.
Aqui dentro, só o meu vício de linguagem.
Porque eu estou vestida
Com as armas de Jorge. Amado Salve!
Peço licença para chamar a inspiração
Ela não vem. Manda recado. Está de greve ou luto fechado.
Reivindicando novos pisos salariais para as minhas emoções.
Se esta rua fosse minha,
Eu mandava ladrilhar...só para ela passar.
Canto pontos, faço oferendas, rituais, tambores..
E nada.
Dou uma trégua.
Vou para a sala ligar a TV.
Sem reagir a tamanha afronta de minha fiel escudeira.
Shoptime? Controle nela.
Fala que eu te escuto? Controle nela.
Emudeci de repente.
O Jô!!! Achei!!!
Sentada em rede nacional
A bunda (que anatomicamente não uso) Deus me compensou com o cérebro, quando invento manias para substituí-las. E sempre dá certo.
Ela fala pra ele de sua trajetória METEórica na carreira...
- Capa da playboy...apartamento comprado....cachês pagos...contas pagas.
É a glória!! -
Meu QI sofre...eu o tenho é verdade, mas não no sentido Quem Indique.
Descontrole em mim...ela apareceu....
Me segura, que eu vou ter uma Estrofe!!!!


Elisa Carvalho
num verão de 2003






2 comentários:

Duda Bandit disse...

texto delicioso, não só pelo que diz, mas da forma que diz...

cisele disse...

ah elisaa que bem faz ler um texto assim...
muito bom!!