Descobri Orides Fontela*
morta
na voz de outra poeta Angela Melin, que respira
que com ela vive
e a ressucita
nas margens do esquecimento poético
que me atravessa o peito
e corta
e fere
e sangra
A visita da velha senhora
que conheci calada
no silêncio que jaz o passado
em cenas de um documentário póstumo
preto no branco no preto
ilustrou-me o reflexo da solidão
desafiou as vertigens do mundo cão
esfriou a língua
mordeu a postura
entrega à realidade
sem frescura ou maldade
por si e só,
sem a cumplicidade da vaidade banal
Orides ancorou-se na poesia
convidou ela mesma
a ser imortal.
Conseguiu.
EC
*Orides Fontela
1940-1998
domingo, 6 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
quatro ponto três
Ontem encontrei veterana amiga de equipe de gincana nos oitenta.
Mesma idade, mesma data de aniversário, casamento bacana, um filho e uma carreira sólida.
A "mocinha", entre uma satisfação e outra de reencontro , não disfarçava o nervosismo quando falava
de avanços. O futuro parece que a espreita constantemente.
A "mocinha" ainda ama ser chamada pelo apelido de debutante. Tem que chamar de Lilinha*. Acha que ter o "inha" no final do nome ainda a remoça.
Orgulha-se do botox, dos silicones, das plásticas, "cadimias", do bumbum empinado e do marido que não trai por causa de sua devoção no templo da insistência em se manter jovem.
Não resisto e arrasto a "mocinha" para um chopp.
Depois da terceira pedida, ainda extraio alguma coisa de bom em nosso papo.
Garimpei as nostalgias que vivemos e juntas gargalhamos mais ainda das frustrações da
adolescência.
Foram algumas horas de alívio quando revivemos o que já se foi. E da saudade dos nossos amigos que se foram para sempre.
Ao voltarmos para o presente não havia mais nada do que falar.
A linguagem não era a mesma.
Falei da minha gratidão por estar viva.
Ela falou de sua gratidão por estar inteira.
Combinamos de nos vermos de novo antes do Natal.
Ela não vai viajar em festas de fim de ano porque está economizando pra fazer
uma plástica no nariz.
Vai deixar o filho e o marido irem para a bela casa de praia que tem em Cabo Frio.
Ela não gosta de lá. Gosta de si mesma. E só.
Quando eu disse que estava feliz por chegar aos quarenta e três anos (por extenso mesmo) ela
me disse que nunca pronuncia sua idade.Nem numericamente muito menos por escrito.
Não estou com tempo para comentar os equívocos alheios. Deixa a vida correr, no meu rio quem navega
é minha correnteza própria.
Deixa a "mocinha" se divertir com a preservação de seu meio ambiente.
Minha amiga de ontem, parou no tempo hoje e fico feliz de nos encontrarmos no amanhã.
Inteiras e Vivas!
Graças a Deus!!!!!!
EC
Mesma idade, mesma data de aniversário, casamento bacana, um filho e uma carreira sólida.
A "mocinha", entre uma satisfação e outra de reencontro , não disfarçava o nervosismo quando falava
de avanços. O futuro parece que a espreita constantemente.
A "mocinha" ainda ama ser chamada pelo apelido de debutante. Tem que chamar de Lilinha*. Acha que ter o "inha" no final do nome ainda a remoça.
Orgulha-se do botox, dos silicones, das plásticas, "cadimias", do bumbum empinado e do marido que não trai por causa de sua devoção no templo da insistência em se manter jovem.
Não resisto e arrasto a "mocinha" para um chopp.
Depois da terceira pedida, ainda extraio alguma coisa de bom em nosso papo.
Garimpei as nostalgias que vivemos e juntas gargalhamos mais ainda das frustrações da
adolescência.
Foram algumas horas de alívio quando revivemos o que já se foi. E da saudade dos nossos amigos que se foram para sempre.
Ao voltarmos para o presente não havia mais nada do que falar.
A linguagem não era a mesma.
Falei da minha gratidão por estar viva.
Ela falou de sua gratidão por estar inteira.
Combinamos de nos vermos de novo antes do Natal.
Ela não vai viajar em festas de fim de ano porque está economizando pra fazer
uma plástica no nariz.
Vai deixar o filho e o marido irem para a bela casa de praia que tem em Cabo Frio.
Ela não gosta de lá. Gosta de si mesma. E só.
Quando eu disse que estava feliz por chegar aos quarenta e três anos (por extenso mesmo) ela
me disse que nunca pronuncia sua idade.Nem numericamente muito menos por escrito.
Não estou com tempo para comentar os equívocos alheios. Deixa a vida correr, no meu rio quem navega
é minha correnteza própria.
Deixa a "mocinha" se divertir com a preservação de seu meio ambiente.
Minha amiga de ontem, parou no tempo hoje e fico feliz de nos encontrarmos no amanhã.
Inteiras e Vivas!
Graças a Deus!!!!!!
EC
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Semana de grandes sertões
"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois
desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"
Guimarães Rosa
na voz do sábio Riobaldo
Grande Sertão Veredas
desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"
Guimarães Rosa
na voz do sábio Riobaldo
Grande Sertão Veredas
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
chaaaato.
Coisa chatinha essa
alugar ouvidos e olhares
com palavras rebuscadas
quase nunca encontradas
coçando a língua dos que querem se dizer....
fica o erudito pelo não dito!
fica a dica!
o resto é zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
EC
alugar ouvidos e olhares
com palavras rebuscadas
quase nunca encontradas
coçando a língua dos que querem se dizer....
fica o erudito pelo não dito!
fica a dica!
o resto é zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
EC
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Tango pós balada (mais uma música)
Você me vê assim
Caricata
Descarada
A margem de mim
Batom vermelho manchando o cigarro
Da solidão eu tiro sarro
Meu bolero não tem fim
Acordo assustada
Ouço passos pela casa
O passado me seduz
O vinho era vermelho
Você pedia de joelhos
Que eu não apagasse a luz
Rasguei os versos de madrugada
Tirei a roupa amarrotada
Fiquei crua
Dancei pra lua
Mas eu não
Parei na tua.
Elisa Carvalho/Bianco Marques
Caricata
Descarada
A margem de mim
Batom vermelho manchando o cigarro
Da solidão eu tiro sarro
Meu bolero não tem fim
Acordo assustada
Ouço passos pela casa
O passado me seduz
O vinho era vermelho
Você pedia de joelhos
Que eu não apagasse a luz
Rasguei os versos de madrugada
Tirei a roupa amarrotada
Fiquei crua
Dancei pra lua
Mas eu não
Parei na tua.
Elisa Carvalho/Bianco Marques
Assinar:
Postagens (Atom)



