terça-feira, agosto 28

aconta


não sei a quantas anda

a minha conta

a conta minha

a contamina

a mina conta

que desanda

a cota minha

a minha cota

quero pagar

com o tempo

que ainda dá

tempo

que dá

ainda

que a conta

finda...


Elisa Carvalho

sexta-feira, agosto 24

Noel Rosa e meu grande ator e amigo Bianco Marques


A vida e a obra de um dos mais importantes nomes da música popular brasileira,

o grande compositor Noel Rosa, estão presentes no musical:



"O Poeta da Vila e seus amores"

de Plínio Marcos

Teatro Procópio Ferreira,

Tatuí/SP

1 e 2 de setembro de 2007,

às 20h30

ingressos: 1 kg de alimento não perecível(exceto sal)

recomendação:12 anos

quinta-feira, agosto 23

Eu de rosa e Punk de azul


Como um pêndulo


Cada dia vem do minuto um instante,
um sopro que pode ser eterno
enquanto durar
em nossos pensamentos
vem e vão como um pêndulo
num relógio
como o som de um sino
Quantos bons momentos
vou sair pra rua de novo
vou rir, vou chorar
que seja cada lágrima caída
um gole de cerveja
Uma frase dadaista
ou um ensaio escapista
que mora na filsofia?
Algo de bom passeia
entre o sim e o não
nas veias rotas deste camaleão.
algo interessante brota
não sei qual a origem...
de algum lugar aqui...
onde exatamente?
na boca? do estômago?
e brota
e nasce na pele
algo quase glandular
se transformando
se formando
carregando um DNA de minha alma
materialializado em gota
em meio a pele tua
molhada de suor .




Esses versos se colidiram na comunidade do Paulo Leminski no oitavo dia, e eu vi que era bom e disse: Haja blogspot para eles.


Os poemas em azul são autoria do Punk.
Os de rosa são da própria.


Elisa Carvalho

NaLapa


Pode ser que sim

O que a vida disse que não ou talvez.

Entre um copo

o corpo

e o brinde

Há sempre um cálice

existe um álibi

que liberta a ilusão.


Elisa Carvalho

terça-feira, agosto 21

DaFala


Não queiras decifrar o que vês,

apenas descreva

entre os hieróglifos constantes,

os quixotescos anseios

dos invisíveis amantes

que se consomem em um dia,

que se subentendem

no traço de uma poesia,

sou farol que deseja o horizonte

seja verso

e me conte.


Elisa Carvalho

segunda-feira, agosto 20

Rebeldia


Quando te vi, briguei com Deus
Por que logo agora, ele te fez meu?
Rasguei o papel, escondi as canetas,
Fiquei orfã de palavras,
Só tinha aversão e defeitos
Pra tanta perfeição mal resolvida.
Fiquei de mal com a lua,
Despedi o sol.
Anarquisei o divã.
Só agora?
Minha alma sabe o perigo,
O castigo que é tê-lo como amigo,
E que não, nunca,
Jamais brigará comigo.
Jamais dirá: estou contigo.
Não ouvirei: pra jantar te levarei.
Nem rimas, nem carne e alegria,
Somente dúvidas e elegia.
Mas por que?
Não ser tua alma gêmea num feroz ataque de fêmea?
Não ficar nua e dizer que sou tua?
Só pode ser um auto de infração este desejo natimorto.
Como é que vai ficar agora esta paisagem em meu porto?
E a cama molhada de mel
Sem a gente?
E a janta ainda está pra ser feita,
O café, o leite, o pão de cada dia
No fantástico exercício da rotina.
Sonho acordada de ti,
Desaguando em meus afluentes,
Me passando pano e papilos quentes.
E eu, morna que sou,
Faço sinais de paz com Deus de novo.
Acho que agora quem sabe,
Ele fica ao meu lado e eu ao teu,
Quando pelo menos
Fritarei um ovo.
E entre mexidas, frituras e sais,
Na risada descontente eu perguntarei:
Por que não mais?


Elisa Carvalho

A metafísica do objeto direto


Acendeu a luz no meio da noite e brincou de possuir.

Inquieta e múltipla, não pediu licença nem reservou mesa.

Não perguntou se a rima estava acesa,

se o perigo estava rondando a casa,

ela não tem vigia, níveis de segurança, alarme.

Não avisa.

Entra sorrateiramente no território do senso estético do querer,

que o radar não identifica suas forças amadas,

armadas até os dentes.


Sua tenda se enche de vapores

Numa tentativa lúdica de exorcizar

o possível futuro abalo sísmico de seus anseios,

suas entregas, seus pudores sem regras.

Mas teima assim mesmo.


E a outra, para desvencilhar-se da cerimônia intimista

da escalação do elenco principal

que vai atuar em mais um capítulo desta história, reluta.

Mas a pulsação insiste.

Tem seu objetivo, sua vocação predestinada

que não dá crédito as suas fugas.

Fica de sentinela.

Simula uma demissão, se candidata ao exílio voluntário, faz pirraça...

Mas é tudo em vão.


Vencida,

dilui-se no azul oceânico, e o continente de terra firme

vai ficando cada vez mais longe até se perder de vista.

Mergulha fundo,

com a habilidade e astúcia de escafandrista,

ela já está na órbita de outro mundo;

Pousa, coloniza, fixa bandeira,

passeia por seus dias,

classifica as fronteiras,

derruba os mitos,

explora o solo,

fertiliza.

De alma lavada, clareia os horizontes.

Sua coragem agora é criada na fonte.

Agora é forte.


Escreve por fim,a letra sensível que toma forma

na forma de um verso torto.

Feito em uma viagem de retorno possível,

ela sabe.

Que não,

nunca será perecível.


Elisa Carvalho



Tour à distância


Lembra?

Ontem estive em você.

Encontrei as portas abertas, mas a casa estava vazia.

A cama arrumada, com a impressão de que a qualquer momento poderias regressar.

Estive nas saudades impiedosas de um tempo,

em que você morava na minha poesia.

Cobertura exclusiva.

Área nobre.

Bela vista.

De frente pro mar da tranquilidade

que contornava o azul dos versos que lhe escrevia.

Passeei pelas galerias,onde tocava sua mão na minha

conduzindo meus etéreos devaneios,delírios, canções.

Eu podia.Estava em paz com minhas emoções.

Hoje, guardei as esperanças no porão.

Amanheci com a efêmera sensação de que,talvez elas fujam um dia

e voltem para seu antigo dono

fiéis como os melhores amigos irracionais.


O altar continua provisoriamente trancado,

com placa de aviso:

Desculpe o transtorno, os desejos estão em obras.


Ainda teimo em esperar nossa próxima viagem.

Por isso, deixei sua vaga reservada na garagem.

Leblon/2007


Elisa Carvalho






Para Dan...


Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim,
que não tem fim...


(Cazuza)

sexta-feira, agosto 17

Névoas




Nas horas tardias que a noite desmaia
Que rolam na praia mil vagas azuis,
E a lua cercada de pálida chama
Nos mares derrama seu pranto de luz,
Eu vi entre os flocos de névoas imensas,
Que em grutas extensas se elevam no ar,
Um corpo de fada — sereno, dormindo,
Tranqüila sorrindo num brando sonhar.

Na forma de neve — puríssima e nua —
Um raio da lua de manso batia,
E assim reclinada no túrbido leito
Seu pálido peito de amores tremia.

Oh! filha das névoas! das veigas viçosas,
Das verdes, cheirosas roseiras do céu,
Acaso rolaste tão bela dormindo,
E dormes, sorrindo, das nuvens no véu?

O orvalho das noites congela-te a fronte,
as orlas do monte se escondem nas brumas,
E queda repousas num mar de neblina,
Qual pérola fina no leito de espumas!

Nas nuas espáduas, dos astros dormentes
— Tão frio — não sentes o pranto filtrar?
E as asas, de prata do gênio das noites
Em tíbios açoites a trança agitar?

Ai! vem, que nas nuvens te mata o desejo
De um férvido beijo gozares em vão!...
Os astros sem alma se cansam de olhar-te,
Nem podem amar-te, nem dizem paixão!

E as auras passavam — e as névoas tremiam —
E os gênios corriam — no espaço a cantar,
Mas ela dormia tão pura e divina
Qual pálida ondina nas águas do mar!

Imagem formosa das nuvens da Ilíria,
— Brilhante Valquíria — das brumas do Norte,
Não ouves ao menos do bardo os clamores,
Envolto em vapores — mais fria que a morte!

Oh! vem; vem, minh'alma! teu rosto gelado,
Teu seio molhado de orvalho brilhante,
Eu quero aquecê-los no peito incendido,
— Contar-te ao ouvido paixão delirante!...

Assim eu clamava tristonho e pendido,
Ouvindo o gemido da onda na praia,
Na hora em que fogem as névoas sombrias –
Nas horas tardias que a noite desmaia.

E as brisas da aurora ligeiras corriam.
No leito batiam da fada divina...
Sumiram-se as brumas do vento à bafagem,
E a pálida imagem desfez-se em — neblina!

Fagundes Varela

Ps: Que viagem este poema.

Cento e sessenta e seis


Hoje, se fôssemos amigos
com tanta internet, orkut, my space, mails, emiésseênes, cartas, EBTCs,
de alguma forma estaríamos bem perto, sabia?
Ou em alguma hora tardia
em que a noite desmaia
estaríamos compondo
e tomando vinho em alguma praia.
Falaríamos dos amores,
essas dores que insistem em morar no peito,
e entre a brisa cintilando a névoa
eu seria um predicado e você o meu determinado sujeito.
Obrigado,
tenho em mim um pouco do seu legado.
Elisa Carvalho
17/08/2007
166 anos sem Fagundes Varela





quinta-feira, agosto 16

Alls 40


Por que a gente cresceu?
Por que não gosto de funk?
Por que meu pai odiava rock?
Por que usar reniu?
Por que é necessário ter atestado obrigatório de bem resolvida?
Por que não mandamos as medidas exatas para a putakilparil?
Pra que ter que fingir na hora de gozar a vida?
Por que pensar fomos ontem?
Por que nos chamam de loba?
Por que ainda deixamos alguém nos fazer de boba?
Por que carregar todas malas com essa imensa bagagem numa viagem qualquer?
Por que ter que olhar pra trás?
Por que pensar que seremos saudade?
Pra que ficar pensando na posteridade?
Por que encurtamos o nome?
Por que não perpetuamos o codinome?
Por que temos que ter diploma?
Por que é que temos medo de carcinoma?
Por que ficamos amarelos na pose do álbum?
Por que já fomos debutantes?
Por que que as jovens tardes se transformaram em domingos entediantes?
Por que que antes éramos bonitas?
Por que que hoje somos apenas eruditas?
Por onde andam nossos diários?
Quem foi que matou a Elis?
Por que pensar que a vida está sempre por triz?
Por que ir ao cinema é ter que comer pipoca?
Por que véu e grinalda mata um desejo de outro beijo?
Por que a goiabada não é nada sem o queijo?
Por que não posso dançar a ciranda?
Por que não posso arregalar os olhos na quitanda?
Por que tenho que saber inglês?
Por que eu tenho que dizer “eu te amo” em português?


Soul easy...


Elisa Carvalho

quarta-feira, agosto 15

Do além

Após fazer a primeira sessão de regressão, eis que tenho uma grata surpresa ao saber quem fui em uma de minhas existências passadas.



Eu acredito em reencarnação.

GuloTeimas



















Ele acha que o doce do mundo
Não pode ser do seu jeito.
Deixa!
Melhor um equívoco
Do que uma bala,
Perdida no peito.






Elisa Carvalho

i éres


Ora que te habitas

em órbitas inconsequentes

o tempo coleciona figurinhas

e completa esse álbum indolente

Anima lumens

era pra ser latim

mas essa tua língua afiada

lambe a saudade que deixaste

plantada em meu jardim...


Elisa Carvalho

domingo, agosto 12

O poema do Lau Siqueira



Terrorismo


Não interessa
a vida
senão para intervir
nos lacres.

E nem as tristezas
com suas patas e bocas
de batom

Um atentado
Um invento

Sei lá
eu tento.

Lau Siqueira

Tem comunidade dele no orkut.



sábado, agosto 11

Ver-te Veritas


Ontem,

Bebemos, o que tinha pra se embriagar

Fumamos, as ervas do mato com gosto de framboesa

Trepamos, e a fruta era a mais doce da goiabeira

Aprontamos, rastreamos o tempo de se marcar.

Hoje,

algumas horas a fios de cabelos brancos,

sossegamos.

E eu ainda o quero senhor,

que é meu pastor e nada me faltará.


Elisa Carvalho

quinta-feira, agosto 9

Efêmeros Ícaros


Assino meu primeiro nome.
Ele sorri e agradece.
Infla meus egos, feito balões coloridos em dia de aniversário de criança.
Guardo tudo dentro da página em branco.
Depois acende uma luzinha lá de cima
e eu inauguro outros versos
pra fugir dos miseráveis reversos.
O tempo urge.
Boto pilha na inspiração
dedico minhas fiéis semânticas
ao muso de minhas neuras românticas.
Deixo escapar a linha fina que desafia o ar
e os balões sobem pras alturas
em rotas de semi-adeus.
Meu olhar segue a trajetória ícara.
Depois abaixo a cabeça,
vou pra fila do banco pagar as contas
volto pra casa
e lavo as louças,
limpo os móveis,
vitamina c e cama.
Como qualquer mortal
que sempre sonhou.


Elisa Carvalho



Afluente do Nilo


O Nilo é um rio do nordeste do continente africano

que nasce a sul da linha do equador

e desagua no mar mediterrâneo.



Mas é na terceira margem

que o outro Nilo me encontra.

Eu sempre soube as lições de geografia,

agora, o que eu gosto mesmo

é de navegar no delta de sua poesia.


Elisa Carvalho


Para Nilo Neto





terça-feira, agosto 7

Para Chris, nunca esquecer.


Alguma coisa aconteceu
No meu coração,
E nem precisei cruzar a Ipiranga com a avenida São João,
Ela mora na terra da garoa,
E é tão gente boa como
Os milhares seres humanos que povoam o planeta,
Mas é paulista e tem um diferencial, que não é a toa.
E eu, tão amante das palavras que me habitam
Na fragilidade gravitacional dos encontros,
Deixei que primeiro fossem elas,
As mesmas palavras, em forma de frases bem feitas,
Ritmadas narrativas de experiências
Transmudaram o sentido de um leve conhecimento,
E me trouxe você,
Através de um processo banal
Eu era fake
Você era tão real que eu lhe trouxe ao meu mundo,
E agora de dentro dele, você não parte jamais.
Um dia, vamos nos encontrar
Pra sentar na calçada como adolescentes,
Falar dos amores e das loucuras da gente
Que de tão grande cresceu.
Trocaremos fórmulas da química que bate
Quando a sintaxe é perfeita análise de duas línguas não semelhantes.
Falar dos nossos homens particulares e suas aventuras errantes,
Rir daquilo que virou passado,
Dos nossos desejos itinerantes,
Compor um blues, cantar um fado.
Enquanto esse dia não chega,
Eu fico com o seu passaporte carimbado
Com visto permanente aqui dentro do meu país
Enquanto esse momento não vem
Eu leio o livro que você me deu de presente.
Amiga sincera que assina
Uma página a mais em minha vida,
Essa autora se chama Christina.


Elisa Carvalho


PS: Minha amiga acha Hello Kitt muito fofinha, então resolvi homenageá-la com esta ilustração..rs

segunda-feira, agosto 6

Fragmento do poema de Nilo Medeiros Neto


"...te amo, meu homem
meu macho de mil cabeças
vem, me rasga
vem que eu te dou outra vez
o meu brilho de árvore seca
meu gosto de romã triste
minha lágrima engolida em seco
aceita a minha faca nesse coração duro
meu perdão de menina que perdeu o pai
meu lampião quebrado,
amém."


Nilo Medeiros Neto



Este poema me tirou do sério. Passou exatamente na hora que a emoção de alma beijada
pelos versos sábios, deixava sua marca no éter de uma quimera constante.

EC