sábado, setembro 26

A poesia que me fala

A poesia que me fala
não é aquela produzida
na elite dos apartamentos,
nas mãos engomadas dos iniciantes
que fabricam versos
por caprichos da filosofia da página vinte e um
no capítulo quatro da enciclopédia dos bancados estudantes.

A poesia que me fala
tem cheiro de capim molhado
do orvalho das manhãs,
tem a sabedoria da preta velha
agachada ao lado do fogão de lenha
soprando o borralho,
tem o tempero da comida simples
feita com sal, dois dentes de alho e muito amor inocente.

A poesia que me fala é igual a gente,
anda descalça
corre nas glebas da terra sulcada
toma banho de cachoeira em tarde ensolarada
veste saia de chita
nos cabelos são amarelos os laços de fita
e vai pra janela acenar para os viajantes
a poesia que me fala
não combina com gramática pedante.

A poesia que me fala
sobe na árvore pra colher o fruto,
come feijão com angu, torresmo e couve fininha
faz do toco de vela providencial
um venerável foco de luz
e sabendo-se filha ocidental
ajoelha-se aos pés da santa cruz.

A poesia que me fala
tem sanada as marcas da luta
não sabe ser osso de ofício quando me diz
que sou dela sua aprendiz,
assim eu sei que Deus me escuta.

EC

5 comentários:

Anônimo disse...

Elisa a poesia que te fala
é tão linda como este e outros
poemas
adorei

beijao
Edu

Cau disse...

Elisa
muito lindo este poema
arrepiei do começo a fim
parabens pelo lirismo não comedido

bjs

Anônimo disse...

Arrasou nesta poesia Elisa
gostei muito, copiei e colei ahaha
Besos
Bárbara

Rick disse...

maravilhoso texto
parabens cada vez mais minha amiga
bjs
Rick

Safira disse...

Elisa sou sua talifã srsrsrs
e este poema é magnífico
beijo
Safira